terça-feira, 2 de novembro de 2010

IV Afinal, mediunidade é faculdade orgânica ou faculdade espiritual

         Como ficou sugerido pelas observações anteriores que a mediunidade seria uma faculdade espiritual, e que haveria uma afirmação literal feita por Kardec a este respeito, postamos agora o artigo: O Sentido Espiritual, publicado por Kardec na Revista Espírita, junho de 1867, como resposta a carta do correspondente doutor Gregóry, vejamos com atenção:

(Observação do blog:A carta do doutor Gregóry esta entre aspas e a resposta de Kardec não.)

 

O Sentido Espiritual

Uma segunda carta do doutor Gregóry contém o seguinte:
“Numa comunicação, Erasto enunciou uma idéia que me surpreendeu e me fez refletir. O homem, diz ele, tem sete sentidos: os sentidos bem conhecidos da audição, do olfato, da visão, do gosto e do tato e, além destes, o sentido sonambúlico e o sentido mediúnico”.
“Acrescento a estas palavras que estes dois últimos não existem senão por exceção, bastante desenvolvidos nalgumas naturezas privilegiadas, caso existam em todo homem em estado rudimentar. Ora, há em mim uma convicção adquirida por mais de uma observação e por uma experiência bastante longa dos poderes homeopáticos: é que nossos medicamentos, bem escolhidos e tomados por longo tempo, podem desenvolver essas duas
admiráveis faculdades”.

Em nossa opinião seria erro considerar o sonambulismo e a mediunidade como o produto de dois sentidos diferentes, considerando-se que não passam de dois efeitos resultantes de uma mesma causa. Essa dupla faculdade é um dos atributos da alma e tem por órgão o perispírito, cuja irradiação transporta a percepção além dos limites da ação dos sentidos materiais. A bem dizer é o sexto sentido, que é designado sob o nome de sentido espiritual.

O sonambulismo e a mediunidade são duas variedades da atividade desse sentido que, como se sabe, apresentam inúmeros matizes e constituem aptidões especiais. Fora destas duas faculdades, mais notáveis porque mais aparentes, seria erro crer que o sentido espiritual não exista senão em estado rudimentar. Como os outros sentidos, é mais ou menos desenvolvido, ou mais ou menos sutil conforme os indivíduos, mas todo o mundo o possui, e não é o que presta menos serviços, pela natureza toda especial das percepções das quais é a fonte. Longe de ser a regra, sua atrofia é exceção, e pode ser considerada como uma enfermidade, assim como a ausência da vista ou da audição. É por este sentido que recebemos os eflúvios fluídicos dos Espíritos, que nos inspiramos, mau grado nosso, em seus pensamentos, que nos são dados os avisos íntimos da consciência, que temos o pressentimento e a intuição das coisas futuras ou ausentes, que se exercem a fascinação, a ação magnética inconsciente e involuntária, a penetração do pensamento, etc. Essas percepções são dadas ao homem pela Providência, assim como a visão, a audição, o olfato, o gosto e o tato, para a sua conservação; são fenômenos muito vulgares, que ele apenas os nota pelo hábito que tem de os experimentar, e dos quais não se deu conta até hoje, devido sua ignorância das leis do princípio espiritual, da própria negação, em alguns, da existência desse princípio. Mas, quem quer que leve sua atenção sobre os efeitos que acabamos de citar, e sobre muitos outros da mesma natureza, reconhecerá quanto eles são frequentes como são completamente independentes das sensações percebidas pelos órgãos do corpo. 

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