sábado, 13 de novembro de 2010

A Pineal e a Mediunidade I

Ao utilizarmos o site de pesquisa “Google” para nos informarmos a respeito da “pineal”, encontramos como primeiro resultado a página: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gl%C3%A2ndula_pineal, e se a acessássemos, nos depararíamos com o item: “A pineal na filosofia e misticismo”, neste item, de imediato veríamos a referência a uma proposição do filósofo RENÉ DESCARTES que defende a idéia de que seria a pineal a sede da alma, afirmação totalmente contraditória em relação à doutrina espírita, como podemos comprovar na questão 146 de “O Livro dos Espíritos”:

146. A alma tem, no corpo, sede determinada e circunscrita?
“Não; porém, nos grandes gênios, em todos os que pensam muito, ela reside mais particularmente na cabeça, ao passo que ocupa principalmente o coração naqueles que muito sentem e cujas ações têm todas por objeto a Humanidade.”
a) — Que se deve pensar da opinião dos que situam a alma num centro vital?
“Quer isso dizer que o Espírito habita de preferência essa parte do vosso organismo, por ser aí o ponto de convergência de todas as sensações. Os que a situam no que consideram o centro da vitalidade, esses a confundem com o fluido ou princípio vital. Pode, todavia, dizer-se que a sede da alma se encontra especialmente nos órgãos que servem para as manifestações intelectuais e morais.”

         Ainda mais preciso foi, ao nosso ver, o dr. Iso Jorge em artigo publicado em http://www.espirito.org.br/portal/artigos/iso-jorge/da-glandula-pineal.html, destacamos deste artigo o parágrafo seguinte:

O filósofo RENÉ DESCARTES, este sim, defendeu a tese de que na pineal estaria a sede da alma... Nos últimos dos seus trabalhos publicados durante sua vida, saiu a lume, em novembro de 1649, poucos meses antes de sua morte (cf. IVAN LINS. DESCARTES – Época, vida e Obra. Liv. São José Edit., 2 ed., Rio de Janeiro – GB, 1964, p. 340). Esta última obra foi intitulada Tratado das Paixões da Alma. Aqui e numa carta a MEYSSONIER, médico de Lyon, disse DESCARTES sobre a pineal:

“A razão que me leva a crer seja essa glândula a sede da alma é não encontrar, em todo o cérebro, nenhuma outra parte que não seja dupla [grifos nossos]. Ora, não vendo senão uma única cousa com os dois olhos, não ouvindo senão um mesmo som com os dois ouvidos, e, enfim, não tendo nunca senão um pensamento ao mesmo tempo, é absolutamente necessário que as impressões, que nos chegam através dos olhos, dos ouvidos, etc., se unam em alguma parte do corpo para serem aí consideradas pela alma.”

E o grande filósofo conclui a sua argumentação:

“Ora, não podemos encontrar nenhuma outra nestas condições, em toda a cabeça, senão a glândula pineal, que se acha, além do mais na situação mais adequada para esse fim, isto é, no meio, entre todas as concavidades, sustentada e cercada por pequenas ramificações das carótidas, que trazem os espíritos (a) ao cérebro”.

(a)- Os espíritos, na concepção de DESCARTES, eram as partes mais sutis e voláteis do sangue (cf. op. cit., p. 341).
Enfim, as idéias de RENÉ DESCARTES, apesar de arrojadas para o seu tempo, baseadas anatomicamente, demonstram que o grande sábio errou redondamente, pois sabemos hoje que a glândula pineal não é a única que não é dupla, pois também a HIPÓFISE também é ímpar,única, no centro do cérebro... A propósito, disse JULES SOURY sobre DESCARTES neste particular:
“Tal sábio pode ter errado, tanto quanto Aristóteles, no atinente à sede da alma. Fez, contudo mais, a propósito da teoria das sensações, das paixões e da inteligência, do que os mais exatos anatomistas e os fisiologistas de qualquer tempo.” (cf. op. cit., p. 340).
Portanto, prezados confrades, a tese dos filósofos citados quanto à localização da sede da alma não têm nenhuma sustentação na realidade anatômica nem fisiológica, erraram os filósofos neste particular... (Da Glândula Pineal à Sensibilidade Espiritual (II) Iso Jorge Teixeira, http://www.espirito.org.br/portal/artigos/iso-jorge/da-glandula-pineal.html)

Como podemos ver a pineal como sede da alma já é um mau começo, proposição muito difundida e doutrinariamente incorreta, mas infelizmente o equívoco pode ser ainda maior, como veremos...

 



Nenhum comentário:

Postar um comentário